Existe uma frase que aparece muito quando falamos de arte: pinte para relaxar.

E eu concordo. Pintar pode ser uma pausa maravilhosa. É uma maneira de diminuir o ritmo, colocar a atenção nas mãos, nas cores, na água que encontra o papel.

Mas existe uma parte dessa história sobre a qual falamos pouco.

Você pode decidir começar a pintar para relaxar — e terminar completamente frustrado.

Eu sei porque já passei por isso.

Quando começamos, é muito comum comprarmos uma caixa de aquarela para estudante, alguns pincéis quaisquer e um papel que parece apropriado. Afinal, estamos começando. Por que investir em material se nem sabemos ainda se vamos gostar?

Só que então colocamos água no papel e ele ondula. A tinta não se comporta como naquele vídeo lindo que vimos. O pincel abre feito uma pequena vassoura e não conseguimos controlar uma ponta. As cores perdem a graça quando secam.

E aquilo que deveria ser uma pausa começa a parecer mais uma coisa na qual não somos bons.

Talvez venha até a conclusão mais injusta:

“Acho que não tenho talento para isso.”

Só que aprender já é difícil o bastante. O material não precisa dificultar ainda mais.

Material bom não faz o artista

É importante dizer isso.

Não existe pincel que pinte por você. Não existe aquarela que substitua prática, curiosidade, observação ou tempo. E certamente não precisamos de um ateliê inteiro para começar.

Mas existe uma diferença enorme entre aprender uma técnica e, ao mesmo tempo, precisar lutar contra os materiais.

Foi justamente depois de experimentar, errar, comprar coisas que não funcionaram e descobrir outras que funcionavam muito melhor que nasceu parte da curadoria da Casa Munguba.

Não da ideia de que precisamos ter tudo.

Quase do contrário.

Um básico bem feito supera.

Poucos materiais, escolhidos com cuidado, que possam ficar por perto e acompanhar você.

Porque a arte também precisa ser fácil de alcançar.

Um pincel que não precisa escolher entre água e detalhe

Uma das coisas que mais gosto nos pincéis que escolhi para a Casa Munguba é justamente essa versatilidade.

As cerdas são macias, adequadas à maneira como trabalhamos a água na aquarela, mas a ponta continua fina o suficiente para permitir detalhes.

Kit com três pincéis de viagem para aquarela da Casa Munguba

E é muito melhor ver isso acontecendo do que eu simplesmente escrever sobre o produto.

A Jaque, aquarelista e ilustradora, usa esses pincéis constantemente no trabalho dela. No primeiro vídeo, além de pintar com eles, ela apresenta algumas dessas características.

Se quiser conhecê-los mais de perto, você encontra o conjunto de pincéis de viagem para aquarela na Casa Munguba.

No segundo vídeo acontece algo de que gosto ainda mais: o pincel deixa de ser assunto e simplesmente vira ferramenta. Jaque o utiliza durante um tutorial.

É assim que prefiro pensar nos materiais: eles devem desaparecer um pouco enquanto a arte acontece.

A aquarela que cabe na mão

Com tinta acontece algo parecido.

Não precisamos começar com dezenas de cores.

Uma paleta pequena e bem escolhida permite conhecer melhor cada pigmento, descobrir misturas e, principalmente, tornar a aquarela portátil.

A Mini Paleta de Aquarela da Casa Munguba nasceu com essa lógica: reunir boas tintas em um formato realmente pequeno, daqueles que não fazem você pensar duas vezes antes de colocar na bolsa.

Mini Paleta de Aquarela com 15 cores da Casa Munguba

Porque existe uma diferença entre possuir materiais de arte e ter materiais disponíveis quando surge vontade de criar.

E então existe o papel

Talvez seja onde a frustração de quem começa apareça mais rapidamente.

Aquarela envolve água. Quando o papel não foi pensado para recebê-la, ele responde: ondula, perde estabilidade e interfere no que estamos tentando fazer.

Por isso o novo Livro de Arte Pachira Press — Pequeno usa papel Canson Montval de 300 g/m² e tem uma construção particular: as folhas são cuidadosamente coladas duas a duas, formando uma superfície de 600 g/m².

Não para fazer ninguém pintar melhor.

Mas para que o papel ofereça estabilidade enquanto você experimenta água, pigmento e gesto.

Livro de Arte Pachira Press Pequeno sobre fundo branco

E escolhemos também um formato pequeno de propósito.

O Livro de Arte Pequeno mede 15,5 × 10,5 cm. Não é um caderno que exige planejamento para sair de casa. Ele pode simplesmente ir junto.

Um pequeno ateliê que cabe na bolsa

No final, talvez seja essa a ideia que conecta toda essa curadoria.

Um Livro de Arte.

Uma mini paleta.

Alguns pincéis.

E pronto.

Um pequeno ateliê que cabe na bolsa.

Não é necessário esperar ter uma tarde inteira disponível, preparar uma mesa perfeita ou carregar uma quantidade enorme de material.

Pode ser uma viagem. Uma varanda. Uma mesa de café. Uma espera. Uma manhã silenciosa.

A criatividade às vezes aparece justamente nesses intervalos.

E quanto menos coisas existirem entre a vontade de criar e o primeiro gesto, maior a chance de simplesmente começarmos.

Talvez seja essa a forma mais bonita de pensar em materiais artísticos: não como objetos que prometem transformar alguém em artista, mas como boas ferramentas que procuram não atrapalhar quando a arte resolve aparecer.

Porque a pausa não precisa ser perfeita.

E a pintura também não.

Ela só precisa ter espaço para acontecer.